boa noite, solidão!

Boa noite, solidão!

Já me aguardavas no meu leito

Para acompanhar-me na noite?

Do que devemos falar,

De devaneios, sonhos, ou paixão?

Boa noite, solidão!

Amiga incerta e vã...

Acaricia-me as lágrimas e se deleita em meu divã.

Queres desabafar, rir, chorar,

Aconselhar-me ou calar-me?

Boa noite, solidão!

Queira ao menos me ouvir agora,

Já que vieste de fora, para deitar-se comigo!

Seja de certo meu ombro amigo

Ouça minhas palavras, distinta senhora!

Algo maltrata meu peito

Flores denominadas amor!

O que fazer nesta hora, em que tudo se torna distante

E o que mais me parece constante és tu, solidão?

Leva consigo meu peito

E este amor que nem mesmo sei direito

Se posso chama-lo de amor!

E agora, de tristeza, fechei meus olhos

Boa noite, solidão!



Débora Santos





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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009


Pátria solteira

Pátria minha, pátria minha
Ai que estou a lamentar neste momento
Chorar por nós teus filhos
Todos os filhos que não temos pai
Ai mãe gentil conte-nos quem foi que a corrompeu?
Quem lhe tirou a pureza
E fez de ti uma mãe solteira?
Ai que ele não nos fez tanta falta assim...
Pois tu nobre senhora
Honrada e madre!
Deu-nos o amor que tinhas
E nada restou para ti!
Conte-nos mãe solitária
Que lutaremos por teus direitos...
Que gritaremos junto aos poderosos opressores
Que a condenam por ser solteira
Que a colocam na posição terceira
E por ter gerado tantos órfãos...
Mas todos apaixonados por ti, mãe gentil.
Não mais gemerá sozinha pela madrugada!
A remoer magoas antigas
Daqueles que a fizeram mulher sem beira!
Não és bandoleira!
É moça inocente, sonhadora...
Que amamentou milhares de filhos
A adoramos pátria nossa!
Debruce teu rosto gentil em nossos tantos ombros solidários
Que tuas lagriminhas serão enxugadas
E teus cabelos grisalhos, enfeitados de verde e amarelo!


Débora Santos

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