boa noite, solidão!

Boa noite, solidão!

Já me aguardavas no meu leito

Para acompanhar-me na noite?

Do que devemos falar,

De devaneios, sonhos, ou paixão?

Boa noite, solidão!

Amiga incerta e vã...

Acaricia-me as lágrimas e se deleita em meu divã.

Queres desabafar, rir, chorar,

Aconselhar-me ou calar-me?

Boa noite, solidão!

Queira ao menos me ouvir agora,

Já que vieste de fora, para deitar-se comigo!

Seja de certo meu ombro amigo

Ouça minhas palavras, distinta senhora!

Algo maltrata meu peito

Flores denominadas amor!

O que fazer nesta hora, em que tudo se torna distante

E o que mais me parece constante és tu, solidão?

Leva consigo meu peito

E este amor que nem mesmo sei direito

Se posso chama-lo de amor!

E agora, de tristeza, fechei meus olhos

Boa noite, solidão!



Débora Santos





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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Rias de Mim




Hoje eu parei
Com meu corpo inerte
E com os olhos pairando sob o nada,
Deixei que meus sentidos voassem

Eu já conhecia teus olhos!
Eu os via algum tempo...
E nesta noite parecia-me que iam embora
Eu os via todos os dias!
Mas nesta noite havia um pouco de adeus!

Eu nada sabia sobre despedidas
Apenas sobre descobertas!

Estes olhos que recebiam-me sempre a sorrir
Hoje estava conciso, morno, meio morto, teu olhar
Eu me vesti de palhaço sem saber!
havia uma lágrima
Ela escapou dos meus olhos
Eu não sabia dizer adeus
E fostes assim sem acenar a outrora afável mão
Como eu acenaria a mão, a mão minha?!
Que por caminho só conhecia o das tuas curvas?
Como conter os olhos a lacrimejar
Molhados pelo desprezo dos teus...
O que fazer com um dia inteiro sem ti?
Pois metade de mim a desejava, meio dia
E a outra metade a possuía, meia noite!
O que faço deste tolo que sou, que fui
afoito sem o teu, o nosso mórbido coito?

Eu quis pedir que ficasse
Que não partisse
Mas minha boca boquiaberta, calou-se!
Justo eu, que julgava-me conhecedor das palavras, do amor?
não soube o que dizer a tua mão de adeus

Fui acompanhando com o olhar
Tua silhueta partindo...
O vento ainda perambulou em teus cachos.
então fostes embora rebolante a caminhar...

Então senti-me ainda mais feio!
Corri os olhos a vidraça e percebi um semblante áspero
Vi um homem calvo, gordo e mediano,
Com um cigarro nos dedos, e um copo nas mãos.
vi meu aspecto desfazendo-se feito fumaça!

Quis correr ao teu encontro.
Deitar-lhe um beijo angustiado
E depois desfalecer aos teus pés fugitivos.
No entanto tu partirias mesmo assim
A limpar com o verso da mão
o desenho molhado do meu beijo rogado!
Jogaria os cachos caramelados como símbolo de desprezo
E partirias ainda mais depressa!
Abandonando meu corpo moribundo no caminho
Tendo como consolo meu ultimo suplício.

Então desta vez eu choraria alto!
Berraria teu nome rente a ofensas!
Lamentaria aos teus conhecidos e estranhos
Diria que eras cruel!
Que escarrara na face do meu amor!
Que desdenhara de mim!
Que debochara do poema que lhe dei!

Eu maquinava ainda com o corpo lançado ao solo
No entanto calei-me!
Não a chamei
Deixei teu corpo caminhado ainda com o cheiro do adeus
Ainda restava em meus olhos a lembrança do teu semblante
Afável, fidalgo, belo...
Ajeitei-me a sarjeta;
Queimei meu cigarro, tomei o meu trago,
E não mais chorei!

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