
Hoje eu parei
Com meu corpo inerte
E com os olhos pairando sob o nada,
Deixei que meus sentidos voassem
Eu já conhecia teus olhos!
Eu já os via há algum tempo...
E nesta noite parecia-me que iam embora
Eu os via todos os dias!
Mas nesta noite havia um pouco de adeus!
Eu nada sabia sobre despedidas
Apenas sobre descobertas!
Estes olhos que recebiam-me sempre a sorrir
Hoje estava conciso, morno, meio morto, teu olhar
Eu me vesti de palhaço sem saber!
Já havia uma lágrima
Ela escapou dos meus olhos
Eu não sabia dizer adeus
E fostes assim sem acenar a outrora afável mão
Como eu acenaria a mão, a mão minha?!
Que por caminho só conhecia o das tuas curvas?
Como conter os olhos a lacrimejar
Molhados pelo desprezo dos teus...
O que fazer com um dia inteiro sem ti?
Pois metade de mim a desejava, meio dia
E a outra metade a possuía, meia noite!
O que faço deste tolo que sou, que fui
afoito sem o teu, o nosso mórbido coito?
Eu quis pedir que ficasse
Que não partisse
Mas minha boca boquiaberta, calou-se!
Justo eu, que julgava-me conhecedor das palavras, do amor?
não soube o que dizer a tua mão de adeus
Fui acompanhando com o olhar
Tua silhueta partindo...
O vento ainda perambulou em teus cachos.
então fostes embora rebolante a caminhar...
Então senti-me ainda mais feio!
Corri os olhos a vidraça e percebi um semblante áspero
Vi um homem calvo, gordo e mediano,
Com um cigarro nos dedos, e um copo nas mãos.
vi meu aspecto desfazendo-se feito fumaça!
Quis correr ao teu encontro.
Deitar-lhe um beijo angustiado
E depois desfalecer aos teus pés fugitivos.
No entanto tu partirias mesmo assim
A limpar com o verso da mão
o desenho molhado do meu beijo rogado!
Jogaria os cachos caramelados como símbolo de desprezo
E partirias ainda mais depressa!
Abandonando meu corpo moribundo no caminho
Tendo como consolo meu ultimo suplício.
Então desta vez eu choraria alto!
Berraria teu nome rente a ofensas!
Lamentaria aos teus conhecidos e estranhos
Diria que eras cruel!
Que escarrara na face do meu amor!
Que desdenhara de mim!
Que debochara do poema que lhe dei!
Eu maquinava ainda com o corpo lançado ao solo
No entanto calei-me!
Não a chamei
Deixei teu corpo caminhado ainda com o cheiro do adeus
Ainda restava em meus olhos a lembrança do teu semblante
Afável, fidalgo, belo...
Ajeitei-me a sarjeta;
Queimei meu cigarro, tomei o meu trago,
E não mais chorei!

é!!!!!!!!.........
ResponderExcluirmuito bom mesmo, um grande abraço.