
MORENO
Moreno, não posso sair no sereno.
Não vou armar barraca em teu terreno
Não vou invadir teu espaço.
Mas me diz o que eu faço
Quando me perco em teus olhos pequenos
Em tua pele morena, com cor de canela;
E esta voz que me parece o vento suave a balbuciar com a janela
Diz-me moreno
Que não tem feitiço em teus olhos
E mágica em tuas mãos
E que quando me pedes um beijo
Foge da minha boca qualquer possibilidade de um não!
Fale-me moreno
Em que escola aprendeu a ser tão sereno
Onde foi que conquistou este gostoso veneno
Onde foi que bronzeou este corpo de pecado moreno
Onde foi moreno, onde foi?
Que aprendeu a cativar tantos corações pequenos?
E adoçou esta boca que tanto fala de amor
Onde comprou este cheiro de flor
Onde foi moreno, onde foi?

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