boa noite, solidão!

Boa noite, solidão!

Já me aguardavas no meu leito

Para acompanhar-me na noite?

Do que devemos falar,

De devaneios, sonhos, ou paixão?

Boa noite, solidão!

Amiga incerta e vã...

Acaricia-me as lágrimas e se deleita em meu divã.

Queres desabafar, rir, chorar,

Aconselhar-me ou calar-me?

Boa noite, solidão!

Queira ao menos me ouvir agora,

Já que vieste de fora, para deitar-se comigo!

Seja de certo meu ombro amigo

Ouça minhas palavras, distinta senhora!

Algo maltrata meu peito

Flores denominadas amor!

O que fazer nesta hora, em que tudo se torna distante

E o que mais me parece constante és tu, solidão?

Leva consigo meu peito

E este amor que nem mesmo sei direito

Se posso chama-lo de amor!

E agora, de tristeza, fechei meus olhos

Boa noite, solidão!



Débora Santos





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sábado, 5 de setembro de 2009


RIACHO


Na beira de um riacho
Sentei-me cabisbaixo
Olhando para baixo
Segurando o coração
Pensei em jogá-lo na fonte
Que acaba defronte
Defronte a solidão
Minha alma chorando dizia
Que a doce água descia
Levando consigo a minha ilusão
No doce riacho
Qual riacho doce
Leva em suas águas a pouca esperança
A qual nunca se cansa
E se deixa tornar canção
Na grossa areia da fonte
Que se acumula aos montes
A preta desilusão
Elevo meus olhos ao céu
E peço a papai do céu
Que se me deres uma chance
Não serei mais como antes
Em troca lhe faço uma prece
Pedindo a estrela que desce
E cai pendente
A estrela cadente
Devolvendo o sonho ao meu coração
Que agora suponho em fertilizar a semente
Na doce água do riacho corrente
Que de volta trouxe vida a minha ilusão!

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