boa noite, solidão!

Boa noite, solidão!

Já me aguardavas no meu leito

Para acompanhar-me na noite?

Do que devemos falar,

De devaneios, sonhos, ou paixão?

Boa noite, solidão!

Amiga incerta e vã...

Acaricia-me as lágrimas e se deleita em meu divã.

Queres desabafar, rir, chorar,

Aconselhar-me ou calar-me?

Boa noite, solidão!

Queira ao menos me ouvir agora,

Já que vieste de fora, para deitar-se comigo!

Seja de certo meu ombro amigo

Ouça minhas palavras, distinta senhora!

Algo maltrata meu peito

Flores denominadas amor!

O que fazer nesta hora, em que tudo se torna distante

E o que mais me parece constante és tu, solidão?

Leva consigo meu peito

E este amor que nem mesmo sei direito

Se posso chama-lo de amor!

E agora, de tristeza, fechei meus olhos

Boa noite, solidão!



Débora Santos





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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Quem sou eu?

O que sou eu?
Feito espelho sem reflexo
Não me imagino, não me entendo, não sei quem sou
Eu sei neste momento, que meus olhos querem chorar
Já estão pequenos, talvez de sono
Talvez de culpa
O que sou eu
Minha vida tem-me parecido uma historia
Que eu assisto do lado de fora
Sem poder opinar, ou mudar o que quer que seja.
Parece que sou personagem
De um filme que alguém escreveu e não leu!
O tempo tem passado
Parece ontem era criança
E hoje já tenho marcas e cicatrizes dos anos que vivi!
Quem sou eu que não me encontro
O que são os sonhos que sonhei
E não se realizaram
Viraram pesadelos pesados!
Quem sou eu que não me reconheço no espelho?
Eu que nem mesmo caibo nas minhas roupas
Quem sou, este velho que me aparece no retrovisor do carro?
Com este olhar tristonho, desgovernado, envergonhado?
Não, não pode ser...
Onde estou que não me encontro?
Vou-me encontrar comigo
E quando eu estiver dentro de mim
Vou remover velhos trapos,
Limpar meu barraco,
Engraxar meus sapatos,
Esvaziar meus sacos
Cheios de miséria...
Onde estou que não me vejo
Escondo-me de mim mesmo
Em ocasiões cheias de desvantagens
Se alguém encontrar migalhas de mim
Ligue ao meu telefone
E me avise
Peço...
Em meus farrapos não pise!

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