boa noite, solidão!

Boa noite, solidão!

Já me aguardavas no meu leito

Para acompanhar-me na noite?

Do que devemos falar,

De devaneios, sonhos, ou paixão?

Boa noite, solidão!

Amiga incerta e vã...

Acaricia-me as lágrimas e se deleita em meu divã.

Queres desabafar, rir, chorar,

Aconselhar-me ou calar-me?

Boa noite, solidão!

Queira ao menos me ouvir agora,

Já que vieste de fora, para deitar-se comigo!

Seja de certo meu ombro amigo

Ouça minhas palavras, distinta senhora!

Algo maltrata meu peito

Flores denominadas amor!

O que fazer nesta hora, em que tudo se torna distante

E o que mais me parece constante és tu, solidão?

Leva consigo meu peito

E este amor que nem mesmo sei direito

Se posso chama-lo de amor!

E agora, de tristeza, fechei meus olhos

Boa noite, solidão!



Débora Santos





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sexta-feira, 30 de abril de 2010

SO NO CIRCO

Cadê o palhaço
Palhaço que roubou minha graça?

Cadê o palhaço
Palhaço que deixou-me em desgraça?

Cadê o palhaço
que me deixou só neste circo?

Cadê o palhaço
que fez-me notar que eu não era mais criança?

Cadê o palhaço
que disse uma anedota que não entendi

Cadê o palhaço
que juntou-me quando eu precisa me dividir?

Cadê o palhaço
que pintou de vermelho o meu nariz?

Cadê o palhaço?
que foi embora e me deixou com a piada ao meio?

Cadê o palhaço?
que roubou meu coração e partiu em dois meu seio?

Cadê o palhaço?
que me deixou só neste circo?

2 comentários:

  1. lindo trabalho, gosto muito do que escreve, um grande abraço e um ótimo final de semana.

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  2. Interessante como a dramaticidade cresce ao longo do poema!

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